Em defesa dos socially awkward






“At a certain point in your life, probably when too much of it has gone by, you will open your eyes and see yourself for who you are. Especially for everything that made you so different from all the awful normals. And you will say to yourself: but I am this person. And in that statement, that correction, there will be a kind of love.” (trecho do filme Phoebe in Wonderland)

Eu sou o que se pode chamar de uma pessoa socially awkward. Sempre fui. Outro dia minha mãe riu porque eu perguntei qual era o protocolo social pra uma situação. De fato, grande parte das vezes, eu não entendo muito bem quais são os protocolos esperados de mim. Posso passar por grossa ou mal educada, sem querer. Na melhor das hipóteses, passo por esquisita mesmo. Ou às vezes interpreto a personagem descolada e consigo transmitir alguma convicção. Mas é sempre uma dificuldade, camuflada ou não.


O primeiro momento em que eu me dei conta dessa dificuldade que as pessoas ao meu redor não pareciam entender foi na minha primeira faculdade, quando eu tinha 18 anos e estava — pela primeira vez — num território novo e longe dos meus amigos da escola, que tinham me acompanhado pelos últimos 10 anos. Lembro de me sentir profundamente deslocada, profundamente incapaz de me aproximar dos outros, profundamente confusa sobre as dinâmicas de socialização. Na época, meus melhores amigos — fora os antigos, da escola — eram todos da internet; mais especificamente, de uma comunidade do Orkut que parecia reunir todos os socialmente deslocados do Brasil em um lugar só (um beijo, HPBF).


Lembro de ter, inclusive, desabafado com um amigo de lá sobre como eu achava difícil me despedir das pessoas. Contei pra ele sobre o dia em que eu fiquei na sala de aula por mais tempo do que precisava exatamente por isso. A professora estava conversando com duas alunas, e eu sentada, arrumando as minhas coisas, quando pensei: se eu sair, dou tchau? Se eu der tchau, vou interromper a conversa delas e elas não vão nem ouvir e eu vou me sentir ignorada? Mas, se eu não der, elas vão me achar mal educada e antissocial? Fiquei presa no dilema, sentada lá, fingindo que não tinha saído ainda porque tinha o que fazer enquanto, na verdade, eu só tava ali porque não sabia como sair dali. Pra minha surpresa, o amigo da internet disse que entendia, que vivia o mesmo, e eu — pela primeira vez — me senti menos esquisita dentro da minha esquisitice.


Quase 10 anos depois, com muita água já passada por baixo da ponte, me pego pensando se eu não vivi tanto tempo me sentindo torta só por ter me comparado à régua que me venderam. A régua dos sociáveis, dos extrovertidos, dos cheios de amigos, dos easy-going e que parecem nunca ficar sem disposição. Uma régua que não me contempla em nada — eu, que sempre fui introvertida, que nunca me senti à vontade nas conversas de elevador com desconhecidos, que demoro um bom tempo até finalmente me sentir confortável com alguém, que conto nos dedos os amigos que eu mantenho na minha vida, que prefiro a Netflix às baladas, que me sinto incomodada quando passo muito tempo com pessoas porque é como se eu tivesse uma cota de socialização e ela esg